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Ainda falta consenso sobre produção global e doméstica de etanol
04/06/2009

Exportação de etanol, tarifas, abertura de mercados, critérios de sustentabilidade e regras de comércio foram temas que movimentaram um acalorado debate no Ethanol Summit 2009, nesta quarta-feira, dia 3, durante a sessão plenária “Etanol: Produção Doméstica vs. Global”. Representantes do Brasil, Estados Unidos e Reino Unido defenderam o status quo de seus países. Ficou evidenciado que ainda há um longo caminho a ser percorrido em busca de um consenso que atenda aos interesses globais e de cada país. Os debatedores insistiram num convite para que a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) integre uma recente aliança em prol do biocombustível, mas a entidade declinou.

O presidente da UNICA, Marcos Jank, disse que tal associação só se justificaria se fosse global. A UNICA já atua em nível internacional. Fora isto, citou Jank, existem duas associações na Europa, duas em prol do milho nos Estados Unidos e outra de segunda geração. É difícil trabalhar assim, desabafou.  Sugeriu uma única associação que englobe tudo, com todo tipo de matéria-prima e que fale por todos os insumos, da primeira à terceira geração. “Mas temos que ter mais cooperação dentro dos diferentes grupos nos países. Aí avançaremos neste processo”, concluiu o presidente da UNICA.

O conflito de interesses ficou claro durante o debate. Até agora não estão estabelecidos nem critérios de sustentabilidade. “O governo brasileiro é favorável à sustentabilidade, mas o debate deve ser justo e a sustentabilidade deve ser discutida por todos nós”, opinou André Corrêa do Lago, diplomata do departamento de energia do Itamaraty. Mas o presidente da Associação de Combustíveis Renováveis dos Estados Unidos (RFA), Bob Dinneen, disse que as regras mudaram no meio do jogo e é impossível investir até entendê-las: “Estamos nos tornando muito sustentáveis. Qual é a métrica usada para medir o carbono? Esta métrica vai prejudicar a evolução contínua do setor.”

Para Corrêa do Lago, entretanto, o perigo da sustentabilidade reside em não fazer uma commodity global. São criados critérios tão complicados, como o uso do solo, difícil de medir, que poderá nem haver produtores, disse ele, acrescentando: “Isto é feito para acabar com o mercado de etanol como um todo.” O representante da UNICA para a América do Norte, Joel Velasco, lembrou que o etanol e a gasolina são taxados com imposto quase igual no Brasil e, na concorrência entre os dois combustíveis, o etanol está quase vencendo em volume de consumo. Quis enfatizar assim que não é possível competir se o produto não for uma commodity.

Dinneen disse que o Brasil poderia ajudar os EUA com sua experiência na mistura de combustível, pois os americanos poderiam usar este composto até em barcos. Lá a mistura só pode chegar a 5% de etanol na gasolina. “Queremos chegar a 15%. No Brasil vocês põem 25%, e os carros andam!”, surpreendeu-se o executivo. Já o secretário-geral da eBio (Associação Européia de Bioetanol), Rob Vierhout, admitiu que a indústria européia não goste de etanol: “A discussão de percentual de mistura é um luxo porque ainda estamos na faixa de 5%.” Argumentou que primeiro é preciso ter carros flex fuel na Europa para depois aumentar o mercado de etanol.

“Eu era lobista, mas me recuperei. Agora sou regulador”, brincou Nick Goodall, CEO da Agência de Combustíveis Renováveis do Reino Unido. “Se vocês querem uma força nesta batalha ‘de que o meu é melhor que o seu’, é importante considerar o combustível renovável para o futuro. Não podemos usar meios termos em impacto social e ambiental.”
Michael McAdams, presidente da Associação de Combustíveis Avançados dos Estados Unidos, aproveitou a deixa para pedir que todos falassem com uma só voz. “Uma voz, mas não um cartel que controla o produto de todos”, retrucou Velasco, da UNICA.

Exportações na balança

Bob Dinneen, da RFA, sugeriu que o Brasil não abandone o programa internacional devido a barreiras de proteção, argumentando que o programa americano não é um obstáculo para a entrada do produto brasileiro: “Se querem que nos Estados Unidos não tenhamos uma tarifa, os americanos estariam subsidiando o Brasil.”

Na Europa, o mercado de etanol em 2008 foi de 1,5 bilhão de litros ante 3 milhões de litros há três anos, disse Vierhout, da eBio. Do total de exportações para aquele continente, o Brasil foi responsável por 77%, segundo ele, enquanto os europeus exportaram mais de 50%, o que ele considera um mercado aberto e equilibrado. “A sustentabilidade não está aí para proteger os produtores europeus”, afirmou ele. “Só queremos que seja sustentável.”

Velasco, da UNICA, admite que seja preciso aumentar o mercado para o Brasil e reclamou que o País pagou US$ 500 milhões em impostos para comercializar petróleo, enquanto o produto de origem saudita não pagou nada para entrar nos EUA. Dinneen, contudo, tentou defender seu país: “Se você pagou US$ 500 milhões em tarifas para os EUA é porque teve um negócio.”


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