Ethanol Summit 2009

Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018

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Setor sucroalcooleiro vê cenário melhor
Folha de S. Paulo
02/06/2009

As nuvens cinzentas que pairam sobre o setor sucroalcooleiro parece que estão se dissipando. Houve uma mudança de cenário nos últimos meses e, embora parte das usinas ainda tenha dificuldades para sair da crise, outras já apresentam um horizonte bem melhor.

Essa é a visão de vários participantes do Ethanol Summit, encontro do setor iniciado ontem, em São Paulo, e que termina amanhã. Organizado pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), o evento serve para o setor "refletir e debater sobre suas perspectivas", segundo Marcos Jank, presidente da entidade.

O setor está dividido, diz Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura. "As usinas que se endividaram ainda passam por um processo difícil. Já as que não contraíram dívidas estão se saindo bem. Deve haver concentração maior no setor."

O setor vive um cenário bom para o açúcar, cuja oferta está menor do que a demanda, mas o álcool tem preços que não remuneram adequadamente. Com preços baixos, as usinas sem crédito colocam mais álcool à venda, depreciando ainda mais os preços. Essa queda reflete diretamente na renda dos fornecedores de cana, segundo Rodrigues.

Na avaliação do ex-ministro, o setor passa por um processo de saneamento, mas o cenário de 2010 será melhor. Prova disso é a busca de negócios no setor por parte das petrolíferas.

Plinio Nastari, presidente da Datagro, também vê um cenário melhor para o setor. "Após termos chegado ao fundo do poço, estamos saindo da crise", diz ele. Não haverá, no entanto, expansão acelerada porque o setor vive uma ressaca, diz.

O açúcar, produto que dá mais liquidez ao setor no momento, tem déficit mundial de 7,8 milhões de toneladas na safra 2008/9. Na próxima safra, o déficit se manterá, e a oferta deverá ser 4,5 milhões inferior à demanda, segundo Nastari.

Já o álcool, com preços baixos no momento, deve se recuperar a partir de agosto e setembro, devido à menor oferta.

Antonio de Padua Rodrigues, da Unica, diz que a safra começou com pessimismo muito grande, "mas já está havendo uma transição para o otimismo, principalmente devido ao açúcar". As usinas estão conseguindo produzir, financiar e exportar, tendo fluxo de caixa.

Mas não são todas. "Muitas usinas enfrentam problemas de liquidez, de falta de crédito e não conseguem obter financiamento nem para construir estoques", diz ele.

Ajuste no mercado

Internamente, os preços baixos aumentaram a demanda. Do lado externo, as exportações estão fortes e somaram 400 milhões de litros no mês passado. Com as usinas voltadas para o açúcar, mais rentável, a produção de álcool deve crescer pouco. "O mercado vai fazer um ajuste de oferta e demanda via preço", afirma o diretor da Unica.

O setor de fornecimento de equipamentos, um dos mais afetados pela crise, também começa a sentir um cenário melhor. "Voltaram as consultas, mas ainda não ocorreram novos negócios", afirma José Luiz Olivério, vice-presidente de tecnologia e desenvolvimento da Dedini Indústria de Base.

Luciano Coutinho, presidente do BNDES, diz que o banco também aumentou a participação no setor sucroenergético neste ano. De janeiro a abril, o BNDES já desembolsou R$ 3,2 bilhões, 36% acima do volume de igual período de 2008.

O setor de máquinas agrícolas, que ainda sente fortemente a crise financeira vivida pelo agronegócio, também foi "surpreendido positivamente nos últimos dois meses", quando houve melhora nas vendas de colhedoras de cana, segundo Ari Kempenich, da Case IH.

Elevar produção de álcool sem desmatar é desafio ao Brasil, afirma Bill Clinton

DENYSE GODOY

DA REPORTAGEM LOCAL

Para o ex-presidente americano (1993-2001) Bill Clinton, o problema da mudança climática só poderá ser resolvido quando as soluções em questão forem economicamente interessantes para indivíduos, empresários e países. Ele também considera o etanol brasileiro superior, mas diz que produzi-lo sem agredir o ambiente é um desafio ao país.

"Se não alterarmos o ritmo de emissão de gases-estufa, em 2100 a temperatura da Terra terá subido 9C. Teremos, então, que retirar entre 65 milhões e 100 milhões de pessoas das zonas costeiras", alertou. "Podemos vencer esse desafio, mas isso só será possível se encontramos um jeito economicamente viável de fazê-lo." Aí também está a chave para reduzir as instabilidades e a desigualdade do mundo moderno, diz.

Outra medida econômica que julga crucial contra a mudança climática é "colocar um preço" nas emissões de carbono. "Assim, a preocupação com esses encargos favoreceria o álcool da cana-de-açúcar. Estados americanos mais progressivos, como a Califórnia, podem achar que é mais viável importar etanol", afirmou.

Hoje, os EUA taxam o álcool brasileiro em US$ 0,54/galão, inviabilizando a importação.

Clinton participou, ontem, do fórum "Ethanol Summit 2009", realizado por empresas produtoras de álcool combustível em São Paulo.

Após deixar a Presidência dos EUA, ele criou uma fundação que leva o seu nome e defende variadas causas, como o tratamento da Aids, o combate à obesidade infantil e o desenvolvimento ecologicamente sustentável.

Clinton disse não ter dúvidas de que o etanol de cana é o mais eficiente, mas alertou para que o país não eleve o seu próprio nível de emissão de gases-estufa caso a expansão da cultura da cana desloque os produtores de soja, levando-os a desmatar a floresta tropical. "O país precisa resolver esse dilema local antes de pensar em oferecer soluções globais", frisou Clinton.

Sobre a crise, diz que serviu para mostrar como o mundo é "interdependente". Por isso, todos precisam se ajudar na luta contra o aquecimento global e as desigualdades sociais. "As turbulências que começaram com os loiros de olhos azuis nos EUA -como disse o presidente Lula- logo depois já eram dos loiros de olhos azuis europeus e, no final, dos loiros de olhos azuis da Islândia", brincou.

Governo quer acabar com o "gato" no campo

EM SÃO PAULO

O presidente Lula deve lançar, em 15 dias, um projeto que, seguido à risca, poderá eliminar do setor sucroalcooleiro uma figura tida como responsável por parte dos problemas enfrentados por migrantes: o "gato".

Segundo o ministro interino da Secretaria Geral da Presidência, Antonio Lambertucci, a meta é valorizar boas práticas de trabalho nas usinas do país e dar prazo para quem está inadequado ajustar sua situação.

Lambertucci citou quatro problemas a serem resolvidos pelo setor. "A contratação do trabalhador deve ser direta, eliminando o intermediário nefasto [o "gato"], que tanto mal faz ao conceito do setor; contratar migrante por meio do Sine [Sistema Nacional de Emprego]; dar transparência na aferição da cana cortada e, finalmente, valorizar as negociações trabalhistas."

Setor quer qualificar cortador para exercer diversas funções

DA FOLHA RIBEIRÃO, EM SÃO PAULO

Um projeto do setor sucroalcooleiro lançado ontem na Ethanol Summit, em São Paulo, pretende qualificar 7.000 cortadores de cana por ano para exercer outras funções devido à mecanização das lavouras de cana-de-açúcar. O custo inicial é de R$ 10 milhões.

Apesar de ser considerado audacioso pelos participantes, o programa é insuficiente para suprir a queda no nível de emprego nas lavouras, que hoje empregam 450 mil pessoas, segundo a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), responsável pelo projeto.

O projeto é visto como positivo por Élio Neves, da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo. "À medida que a mecanização avança, o desemprego acompanha. A mecanização do algodão causou desemprego violento no passado. É óbvio que a parceria não será capaz de solucionar completamente, mas é pioneira."


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